segunda-feira, outubro 14, 2019

Dia de Nossa Senhora Aparecida recebe mais de 145 mil pessoas no Santuário


O 12 de outubro é dia de comemorações no Santuário Nacional de Aparecida (SP). Mais de 145 mil fiéis participaram das celebrações até o meio-dia. Até o fim do dia, ainda acontece uma missa de encerramento às 20h.

Desde o primeiro minuto de sábado, uma vigília acolheu os peregrinos que chegaram durante a madrugada. Grupos e movimentos da cidade de Aparecida e região conduziram o momento oracional.

Ao longo de toda a noite, o Santuário Nacional não fechou seus portões, que permanecem abertos até às 22h de amanhã (13). O Nicho que abriga a Imagem original da Padroeira do Brasil também se manteve aberto desde a manhã do dia 11 de outubro. Milhares de fiéis passaram diante da Padroeira do Brasil ao longo do dia, formando filas nas rampas de acesso ao espaço.

As missas em louvor a Nossa Senhora Aparecida, seis até o fim do dia, ficaram repletas de devotos. A primeira, às 5h, iniciou o cronograma de celebrações eucarísticas. Às 7h, a Eucaristia foi dedicada às crianças, também comemoradas neste dia. A atividade marcou a abertura da Semana da Criança, realizada até o dia 18 de outubro. A ação é realizada pelo Santuário Nacional em parceria com o Ministério Público do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.

Durante a principal missa do dia, às 9h, o maior templo dedicado à Virgem Maria no mundo ficou pequeno para acolher a multidão de peregrinos. Até os corredores externos da Basílica foram utilizados pelos fiéis para acompanhar a celebração, presidida pelo arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes.

Ainda aconteceram missas às 13h e 16h. A celebração do fim da tarde contou com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele foi o primeiro presidente a participar das celebrações do 12 de outubro na Nova Basílica. Fernando Henrique Cardoso já havia visitado o templo em maio de 1998, fora das festividades da Padroeira.

Durante o rito, o chefe do executivo brasileiro realizou a primeira leitura, retirada do livro bíblico de Ester. A passagem bíblica, proclamada todos os anos durante a Solenidade da Padroeira, é, para os católicos, a "prefiguração de Nossa Senhora, que assim com Ester, intercede pelo povo", explicou Dom Orlando, que também presidiu a celebração das 16h.

Recordando a história da Imagem de Aparecida, o arcebispo afirmou que só a união e a verdade podem restaurar o Brasil. "O que faz bem, queridos irmãos e irmãs, é procurar a verdade. A verdade é que liberta. A verdade é que nos dá paz. E a verdade é que nos leva a viver como irmãos e irmãs. E a nossa Verdade é Jesus Cristo", contextualizou.

Finalizando sua mensagem, Dom Orlando se dirigiu a Bolsonaro e assegurou suas orações ao presidente. "Em todas as adorações feitas neste Santuário nós rezamos pelo papa, pelo arcebispo e por todas as autoridades constituídas, para que governem com justiça. São Paulo, na primeira carta a Timóteo, nos diz que rezar pelas autoridades constituídas é um dever", afirmou o arcebispo.

Neste momento, a procissão solene percorre as ruas da cidade de Aparecida com a imagem de Nossa Senhora. A caminhada tem pouco mais de um quilômetro e meio, saindo da Basílica Velha em direção a Tribuna Papa Bento XVI, na área da Basílica Nova.

Com a chegada da procissão tem início a última missa do dia, às 20h, no Altar Central da Basílica. Um show pirotécnico encerra as comemorações do Dia da Padroeira.

Movimentação - O maior estacionamento aberto da América Latina também ficou pequeno para o grande número de fiéis. A grande movimentação fez com que o estacionamento do Santuário Nacional fechasse os portões por duas horas durante a manhã.

Além das romarias vindas em veículos, grandes grupos a pé marcaram presença no maior centro de peregrinações na América Latina. A Tenda dos Peregrinos, espaço que acolhe aos romeiros que chegam caminhando ou de bicicleta, registrou mais de 1300 atendimentos, realizado por profissionais voluntários.

A movimentação continuou intensa no domingo onde a  expectativa é de que mais de 80 mil fiéis visitem o Santuário Nacional no domingo, estendendo as comemorações da Padroeira.


Foto: Thiago Leon

Reportagem :Victor Hugo Barros

quarta-feira, outubro 02, 2019

De Lula Livre a Lula Preso



Há quem diga que no Brasil nada muda, que tudo é sempre igual. Muda, sim: o grito de guerra dos cumpanhêro, a partir do momento em que a Lava Jato pediu que a pena de Lula progrida para o regime semiaberto, deixou de ser Lula Livre. Agora, seguindo as ordens do ex-presidente, é Lula Preso.

Lula disse que não aceita a progressão de pena. Garante que só sai quando seu julgamento for anulado e ele puder deixar a prisão como inocente que foi injustiçado. Que pode acontecer? Não se sabe exatamente. O procurador Deltan Dallagnol acha que Lula, como qualquer presidiário, tem de cumprir a pena como lhe for imposta. O presidente Bolsonaro acha que, se Lula não quiser trocar a prisão por regime semiaberto, tem o direito de ficar preso.

É briga boa: não há muitos casos semelhantes que orientem a solução do atual. Não há, dizem juristas, nenhuma determinação específica na lei. Logo, há campo para uma batalha de interpretações – uma coisa meio maluca, bem Brasil, em que os adversários de Lula querem libertá-lo e seus seguidores querem mantê-lo preso. Lula joga no futuro: quer sair da prisão perto das eleições, na condição de vítima. Mas há vários futuros possíveis: se for condenado em outros processos, e há vários, fica por longo prazo em regime fechado, perdendo a liberdade parcial, e sem disputar eleição alguma.

A Lava Jato vem sendo podada pelo Supremo, pelo Congresso e também por Bolsonaro. Mas há muitos tiros disparados. Se um acertar, Lula não sai.

O dia D

O Supremo deve concluir hoje a votação do caso dos depoimentos dos réus em caso de delações premiadas. Já há maioria formada em favor de dar aos réus delatados o direito de depor por último, como se os réus delatores fossem assistentes da acusação. Mas que é que isso significa?

Não é bem assim

Há consenso no Supremo de que não há condições de anular todos os julgamentos em que os réus delatados não foram os últimos a depor. Os ministros falam em “modular” o alcance das decisões. Podem, por exemplo, decidir que a decisão valha apenas em casos futuros. Ou que seja aplicada nos casos em que a defesa recorreu. De qualquer forma, o julgamento não envolve Lula: no caso em que foi condenado, o do apartamento no Guarujá, nada existe que possa ser alterado por essa decisão do Supremo.

Quem perde

Com uma decisão do Supremo exigindo que os réus delatados tenham o direito de depor por último, quem perde é a Lava Jato. O procurador Deltan Dallagnol acha que haverá um grande retrocesso no combate à corrupção. Há quem diga que as alegações finais dos réus não trazem, a rigor, nada de novo ao caso.

Mas, se não houvesse prejuízo para a acusação, Dallagnol não estaria tão bravo, nem seus adversários tão exultantes. Junte-se a isso o livro e as entrevistas do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que uniram alas que sempre criticaram os métodos da Lava Jato mas não se entendiam, e surge um quadro de enfraquecimento da operação. Mesmo os ministros do STF mais favoráveis à Lava Jato se solidarizaram com as medidas para enquadrar Janot. Nenhum deles quer tiroteio dentro de seu local de trabalho.

Por que?

Esqueça a história de que o ex-procurador Rodrigo Janot contou a história de que quis matar Gilmar Mendes porque queria vender livros. Primeiro, é difícil ganhar dinheiro com livros. Tirando o pessoal da autoajuda, Fernando Morais, Paulo Coelho, não se ganha dinheiro vendendo livros. Segundo, o livro de Janot foi amplamente distribuído, de graça, pela Internet. Também é bobagem imaginar que ele tenha levantado a história para sofrer uma busca e apreensão, que entregaria à Federal seus arquivos e conversas telefônicas, nos quais haveria coisas comprometedoras contra adversários políticos. Se quisesse dar à Federal as informações, bastaria copiar o que quisesse em pendrives aos quais, para usar a frase habitual, “a Polícia teria acesso”.

Adivinhar os motivos de Janot é ainda muito difícil. Um palpite: sentiu a falta dos holofotes e confessou algo que nem crime é, mas teria repercussão. Mas saberia que iriam vasculhar sua vida para achar algo comprometedor. Já sabemos até que ele sua equipe bebiam em serviço. Está no livro.

Cervejinha

A reforma da Previdência passou em primeiro turno e o ministro Onyx Lorenzoni acha que estará tudo concluído até o dia 10. Mas o senador Major Olímpio, líder de Bolsonaro, adverte: se as demandas dos senadores não forem atendidas, a reforma para. Não é coisa pequena: fala-se que os pedidos custarão algo como R$ 3 bilhões. O Governo concordou em atender os parlamentares, mas não liberou as verbas. E eles sabem que, se a reforma for aprovada sem que as verbas tenham saído, vão todas para a cesta seção.

É briga de profissionais: ninguém mais quer promessas, cada um está à espera do naco de carne que foi combinado. Sem carne, não há reforma que ande.

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