segunda-feira, dezembro 21, 2020

Ruim para todos com Carlos Brickmann


 

A Covid-19 no Brasil segue as normas da Covid: quando muito, botam gel, usam algumas máscaras para proteger o rosto, e seja o que Deus quiser. Não se toma conta de quem esquece as máscaras, das pessoas que aproveitam para respirar no rosto de quem se aproxima, todas prontinhas para aproveitar os perdigotos do presidente Bolsonaro e fulminar a multidão desprotegida.

O presidente nunca se preocupou muito com as normas de higiene. Já levou sua filha de dez anos para juntar-se aos que, também sem preocupação, se amontoavam em frente ao Palácio. Bolsonaro se comporta como se o vírus não existisse: mesmo já tendo sido vítima (e mesmo que ministros seus tenham contraído a “gripezinha”, não se preocupou a mínima). É um trabalho que continuará, seja quais forem as vítimas. Afinal de contas, como ele já disse, “um dia todos morreremos”.

Espantoso? Não: a cada vez que Bolsonaro informa que um dia todos nós morreremos, fica mais claro que ele não se importa com isso. Talvez nunca se importe: Se todos vamos morrer um dia, por que tentar salvar as vítimas?

O mais preocupante é que ele aceita placidamente que um dia nós iremos todos morrer. Inclusive ele. Na medida em que mistura com a multidão um grupo de pessoas que podem ficar doentes, dispersa seus vírus com todos aqueles que podem adoecer e transmitir a doença. É triste, Bolsonaro. Isso fica marcado para sempre em seu Governo.

Prepare-se

A próxima luta que envolve a Câmara Federal e o Senado é briga de foice: Rodrigo Maia faz o possível para eleger um candidato seu, enquanto Bolsonaro quer dar força a um candidato seu – não David Alcolumbre, que já está queimado, mas alguém que siga suas instruções, em vez de seguir Alcolumbre. É briga brava: Alcolumbre e Maia são altamente competitivos. Maia quer eleger o presidente da Câmara, Alcolumbre quer eleger o do Senado. Ambos querem levar gente sua para os cargos. E há uma briga imensa para colocar o PT apoiando Alcolumbre, Bolsonaro quer o Centrão na cadeira de comando. O PT não quer apoiar Alcolumbre, mas pode sair com Arthur Lira, do Centrão É jogo bruto. Quem diria, PT com Bolsonaro?

As chances

Tudo bem: há lembranças de que Arthur Lira, do Centrão, já apoiou Dilma Rousseff, e isso lhe daria a possibilidade de ter algo com o PT. O problema é que o PP, de Lira, não quer apoiar o grande inimigo do Centrão. Não que ele se sinta mal com isso, mas bem também não se sente. O PT também não vai se sentir incomodado com o apoio ao PP. Os dois partidos já cansaram de trabalhar juntos, colaborando (e muito) sempre que possível. Mas, embora seja tanta gente assim, há quem ache que PP com PT é demais.

Mas a festa continua

De qualquer modo, não se pode esquecer que Michel Temer pode acabar virando ministro de Bolsonaro (e talvez um ministro importante, daqueles que vão influir na política de Relações Exteriores. Temer foi um presidente hábil, inteligente, e conseguiu manter-se como uma pessoa importante. No momento em que Bolsonaro brinca de trocar ministros de Relações Exteriores, Temer pode articular o relacionamento dos Estados Unidos com o Brasil e a China. Pode ser? Pode, por que não? E uma pessoa inteligente no Ministério vai trazer coisas boas para a política externa brasileira.

Tem de melhorar

Nos últimos dias, soube-se que Nestor Foster, embaixador do Brasil em Washington, cansou de recomendar ao presidente Bolsonaro que não fizesse o erro de reconhecer a vitória do vitorioso Joe Biden. Bolsonaro foi o último presidente a reconhecer a vitória de Biden.

E o Brasil vai pagar por isso.

A próxima vítima

A grande aposta é que o embaixador Nestor Foster moveu-se ideologicamente, apostando no que não poderia dar certo. E não deu: irá o presidente Bolsonaro continuar apostando num conselheiro que estava mais interessado em ideologia do que em análise dos fatos?

Apostando no erro

O Brasil já está com problemas sérios com a China. Colocar-se em outros problemas com os Estados Unidos é meio muito. Estados Unidos e China são os dois principais parceiros internacionais do país. Vale a pena brigar com ambos ao mesmo tempo? Ou será apenas uma nova modalidade de suicídio?

Evitando o acerto

Não é apenas insultar parceiros comerciais de porte, sem que haja qualquer possibilidade de substituí-los. Bolsonaro já disse que “não queria aquela vacina” (a chinesa). O Brasil exportou tudo o que pôde de alimentos, até chegar ao ponto atual, em que faltam arroz e soja, por falta de estoques reguladores.

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sexta-feira, dezembro 18, 2020

2021 o Ano que tantos desejamos


 

Nunca, creio, pelo menos desde que nasci, e isso já faz tempo, desejamos tanto um ano realmente novo e que ocorra uma mágica –as coisas sendo resolvidas, a pandemia controlada e que uma luz de consciência se abata sobre os governantes. Ou, então, que eles sejam abatidos, pelo nosso bem.

Vamos lá. Concentre-se. Minha ideia é que use aquela horinha mais sua, mais preservada, em que esteja nu, despojado, só você e a água do banho, seja de chuveiro, banheira, latinha, balde, bidê, canequinha. Reflita. Pensa o quanto queremos nossas vidas de volta e o quanto estamos tendo por aqui dificuldades impostas por maníacos e pela ignorância para conseguir obter isso, além de tudo o mais. Ajude-nos a desejar com ênfase o fim dessa verdadeira guerra em que nos encontramos, diferente de outras, mas tão mortal quanto, e que já chega a 1,7 milhão de mortes em todo o mundo. 185 mil vidas perdidas só aqui no Brasil, e isto contando só oficialmente.

Temos de virar essa página, o mais rápido possível, e do jeito, a realidade e forma que as coisas andam, diariamente tantos desatinos, erros, “bate-cabeça”, teremos mesmo de apelar a algum outro plano. Aliás, outros planos, muitos, reais e espirituais.

Hoje estou querendo focar no espiritual. Sempre ouvi falar da força da mente humana e acredito que aqui, entre meus queridos leitores, poderemos fazer uma boa e positiva corrente para testá-la.

Que as crianças – aliás, não só elas, mas todos os que querem e precisam aprender – possam voltar sem medo às escolas, universidades, bancos escolares, que esse ano perdido precisa ser recuperado e já temos tantas deficiências nesse setor Educação.

Que os palcos possam voltar a brilhar, com arte, beleza e espetáculos que possamos ver e sentir além de telas de computadores e celulares que por mais que se tente não têm a menor graça.

Que todos possamos voltar às ruas, seguros, pelo menos quanto à essa maldita doença, já que outras formas de segurança ainda demorarão, disso não temos dúvidas. Que haja trabalho e prosperidade.

Que os idosos possam voltar a viver seus dias ao lado de quem amam, recebendo cuidados de suas famílias, beijos e abraços.

Aliás, que todos possamos de novo receber carinhos, beijos, abraços, ver os sorrisos, namorar. Que as mulheres possam procriar sem que os meses de gestação sejam de agonia e temores como vêm sendo. Que possamos nos tocar, ter prazer. Sem ter que sair desinfetando tudo.

Que os jovens possam sair, divertir-se, dançar até o chão – mas bem que eles podiam deixar esses bailes funk caírem em desuso por tanta perturbação que causam. Tantas opções poderão se abrir!

Que a Ciência, a razão, o bom senso, a Justiça prevaleçam sobre as trevas que tristemente encobrem nosso país e nos envergonham diante de todo o mundo.

Que as fronteiras se abram, e todos possamos viajar para lá e para cá. Quem foi, possa voltar. Que as portas de nossas casas novamente se abram para receber quem amamos.

Não. Não teremos Carnaval, o tal, aquele de escolas de samba, blocos nas ruas. Mas faremos um desses bem grande assim que conseguirmos a vacina que ainda pretendem nos negar. Ah, aí sim, dançaremos nas ruas como se não houvesse amanhã, mas haverá.

E pelo andar da carruagem, se tudo der certo – e vai dar, porque somos mais - logo nos encontraremos nessas ruas em protestos que precisam ser feitos e que estão apenas represados enquanto eles se aproveitam da fragilidade que tentam perpetuar, porque só assim poderiam continuar se mantendo.

Concentre-se. Vamos! Deseje.

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mARLI- MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br