sexta-feira, outubro 25, 2019

Jornalismo brasileiro de luto, morre Saulo Gomes




Morreu na madrugada de ontem, o jornalista e escritor, Saulo Gomes, aos 92 anos, vitima de um infarto.
Saulo durante mais de 65 anos se dedicou ao jornalismo brasileiro, sendo considerado o maior jornalista investigativo do País.
Sua brilhante trajetória considerada uma das mais bem sucedidas da história, fez sua passagem pelas emissoras SBT, Record,
Ocupou a cadeira 28 da Academia Ribeirão-pretana de Letras. Durante 20 anos recebeu todos os prêmios de reportagem. Foi ele quem inovou ao introduzir o uso do helicóptero nas reportagens jornalísticas, em 1967.
Iniciou sua atividade jornalística em janeiro de 1956, quando foi o primeiro colocado em um concurso no qual disputavam cerca de 200 jovens para uma vaga de repórter da Rádio Continental.
Como repórter investigativo, Saulo iniciou suas atividades em 1958 graças aos diversos casos de mortes e chacinas no Rio de Janeiro, promovidos pelo Esquadrão da Morte
 Em 1960 conseguiu desvendar, em primeira mão, o misterioso Crime da fera da Penha que ganhara repercussão nacional. Por conta dessa investigação, sofreu 2 atentados.
Em 2 de maio de 1980 protagonizou um momento histórico, informando ao vivo, às 16:21 horas, que a central paulista da extinta TV Tupi deixava, naquele instante, de gerar suas imagens.
Em 1964, ele tornou-se o primeiro jornalista proibido de exercer a profissão pelos militares.
Saulo Gomes, começou sua amizade com o médium Chico Xavier, quando, então repórter da TV Tupi, ele conseguiu convencer a romper longo período de silêncio com a imprensa brasileira, ressabiado com a parte dela que o tratava como uma fraude
 A partir daí, Saulo teria acesso privilegiado a Chico, além da convivência como amigos até a morte do espírita, em 2002.
É de sua autoria uma reportagem especial sobre o "Maníaco do Parque, que marcou uma das maiores audiências da TV Record: foram 38 pontos, contra 16 da TV Globo.
Em 2011 ele foi homenageado, como autor local, na 11ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
Lançou grandes obras , sendo sua ultima no final de 2018 , Nosso Chico pela editora Intervidas.
O jornalista deixa esposa Edna e filhos. 

Confiram o link da entrevista do Saulo Gomes, que concedeu a jornalista e amiga Eliciane Alves no Programa Celebridades In Foco, realizada em 15 de novembro de 2015.

https://soundcloud.com/radioshowtimeoficial/celebridades-in-foco-saulo-gomes-16-11-2015

 

quinta-feira, outubro 24, 2019

Esculhambação , avacalhação nacional, por Marli Gonçalves


Esculhambação, avacalhação nacional, bagunça total, descompasso geral. Vamos aproveitar tanto piche, mas para pichar os fatos que nos cercam e os caras que os criam. E nem venham dizer que a economia isso e aquilo porque a realidade das cidades desmente a olhos vistos, a olho nu. O nível do debate político dança na boquinha da garrafa, enquanto tragédias se sucedem e nos encontram inertes, abobalhados. Inclusive mais uma - a de fazer parecer que só Lula salva. Não é hora. Com tudo isso, nosso outubro é prévia de horror
As terríveis e enormes manchas negras e oleosas, grudentas, atacam, se deslocam para lá e para cá no oceano, tingindo e melecando nossas praias, a água, nossa areia, matando nossos bichos, minando ainda mais a nossa imagem no mundo inteiro e que já está, como é que se diz? Abaixo do piche uns bons metros! E aí? Ninguém sabe, ninguém viu, e as semanas se passam com o povo enxugando gelo com pás e rastelos. Os governos do Nordeste precisam chegar a processar a União para obter ajuda, mesmo a básica, a das boias de contenção, para que ao menos os rios de suas regiões também não sejam atingidos. Há um mês vemos esse filme de horror, com um ministro do Meio Ambiente limpinho, sobrevoando as áreas e as soluções calçado com seus sapatos engraxados e exibindo colete néon luminoso, que ele é homem de moda, capricha no visual.
No Governo Federal – nem me perguntem como é que chegamos a isso – conseguimos que acabassem reunidas um grande número de pessoas sem a menor condição de governar, desprovidas de bom senso, diplomacia, conhecimento, capacidade de negociação. Tem só uns dois ou três que se salvam e ficam tentando se esquivar para também não serem atingidos – no caso, por um lodaçal que mistura insultos, gravações, xingamentos, traições. Por conseguinte, se esses estão lá, acabaram puxando com os votos que obtiveram o que há de pior para o Congresso Nacional. Os poderes e as forças em conflito marcam o ano. O ano inteiro – dez meses que parecem uma eternidade, um pesadelo do qual não conseguimos acordar.
A oposição se aquieta, boiando em sua piscina limpa, até porque nem precisa se esforçar muito porque o próprio presidente Bolsonaro, sua família, sua turma, seus apoiadores reais e robôs dão cabo de se afundarem sozinhos. E, assim, nesse momento ganha tempo para de novo focar naquele que parece ser o Único, o Salvador da Pátria, a perfeição, o Grande Líder, que está preso, mas dando entrevistas tão incensadas que são publicadas em capítulos. Lula tem opiniões sobre tudo e todos, mas nunca usa esses espaços para sequer um segundo de autocrítica, de rever a participação nesse processo que nos levou a tudo isso, não estende a mão à enorme parcela, inclusive uma parte da esquerda, e que questiona o seu partido e as suas decisões.
Acontece que isso se espalha. As informações, por exemplo, de como um prédio pode ruir inteirinho de uma vez só, como se os seus moradores estivessem em um sono profundo e deixassem que as colunas de sustentação que já estavam péssimas fossem detonadas por pedreiros de alguma empresa inexperiente e barata, explica a apatia que se abate sobre nós. Explica muita coisa, Brumadinho, os meninos do Flamengo mortos no abrigo, as milícias, as mentiras, os feminicídios, os viadutos que viram abrigos e focos de incêndio, toda a série sem número de desgraças que acompanhamos como quem vê um seriado na tevê, esperando o próximo capítulo.
Essas pessoas, enfim, somos nós, brasileiros, que não acreditam nas informações sérias, sem educação suficiente que formem profissionais capacitados. Somos aqueles que não tomam providências quando elas devem ser tomadas, que adiamos as decisões, deixamos sempre tudo para a última hora, que não acreditamos em riscos, que vamos deixando as coisas seguirem até que elas enfim desabem sobre todos nós.
Que achamos bonita a esculhambação, porque, afinal, somos brasileiros, Deus deve ser também. Nem se repara mais que esse Brasil que canta e é feliz anda bem calado. E inerte.
____________________________________________________________
MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon